Mam’etu significa nossa mãe, uma reverência às mulheres da alta hierarquia do candomblé na língua kimbundu. Mam’etu também é o livro fotográfico da jornalista, Francilene Martins, que demonstra a tradição das indumentárias usadas em cerimônias do candomblé, em eventos sociais e no dia a dia das mulheres negras de Angola e do Brasil. O lançamento foi realizado no dia 27 de outubro de 2010, no Palacete das Artes Rodin Bahia, Salvador, com entrada franca.
Para os contempladores das manifestações ancestrais, essa foi uma oportunidade de conhecer noções de hierarquia feminina no candomblé e como esta é representada nas roupas e nos acessórios.
Em Mam’etu, Francilene Martins tem como proposta descortinar o mundo das mães de Nkisi e de suas filhas, considerando a tradição matriarcal do candomblé, ela estabelece uma relação paralela entre a hierarquia e as roupas que traduzem esse universo de respeito e de valores basilares dentro das religiões de matrizes africanas.
Sobre a experiência de conceber o livro, Francilene Martins destaca a importância da percepção hierárquica. “Em Mam'etu pude perceber o saber do candomblé da nação Angola, os saberes que perpetuam a hierarquia. O poder das vestes não se trata de ostentação é uma relação de cultura ancestral, preservação dos valores dos nossos antepassados cultuando o Nkisi” destaca a jornalista e fotógrafa.
O candomblé expressa a essência da vida ancestral, religião que cultua a natureza, cuida e ensina a valorizar o mundo a partir dos valores humanos. Candomblé é uma palavra bantu, que significa pedir. Então o ato de fazer candomblé constitui em candombilar (peça por mim). Trazido pelos escravizados para o Brasil e adaptado à matriz afro-brasileira, é hoje sinônimo de luta e resistência de um culto religioso e educacional, que exprime na dança, na culinária, nas vestes e na sabedoria dos mais velhos, como reger o presente, compreender o passado, e semear o futuro, respeitando os ensinamentos da oralidade.
Mam’etu
Trata-se de um livro fotográfico que tem como tema destacar a tradição das vestes das mães de Nkisi (orixá) ou mãe de todos/as, quem cuida e quem cria no candomblé. Mam’etu é resultado da pesquisa de conclusão do curso de jornalismo de Francilene Martins, o objetivo dessa pesquisa foi registrar a indumentária da Mam’etu usada em cerimônias, nos eventos sociais e no dia a dia, e que hoje faz parte do cotidiano das mulheres negras no Brasil. O livro tem tradução nas línguas kimbundu, francês, inglês e espanhol.